O quanto mais alto melhor.

Entre 2018–2019 fizemos 3 projetos de identidade para o mercado de esports; Uma categoria nova para nosso portfólio vindo de um mercado "fresco" que cresce exponencialmente.

Dentre os projetos, publicamos o desenvolvimento da LOUD, maior time de esports mobile do Brasil e atual campeão da Copa América de FreeFire. Aproveitamos a ocasião para compartilhar alguns insights e aprendizados em trabalhar neste segmento.

Bem, se ainda soa como novidade falar desse mercado, tenha em mente que é um segmento com uma audiência muito maior que você imagina: É um entretenimento esportivo que já superou 1 bilhão de doláres em faturamento. Aqui temos um universo de novos costumes e hábitos de consumo. Novos produtos, novos formatos e principalmente uma busca por diferenciação e autenticidade dentro do veloz mundo digital.

Insights:

A marca é o principal ativo (mesmo).

Desenvolver identidade de Marca para/com a geração Z (e adiante) nos dá um conforto, diferente do que outros segmentos ainda estão desenvolvendo, existe a consciência de fato de que a marca e a reputação a serem criadas é o seu principal ativo; Não é um produto, profissional, tecnologia ou "qualidade percebida".

Esse é o nosso pensamento em qualquer processo de criação de marca e que neste caso estava muito bem alinhado: A marca é um ativo que deve representar o seu valor, independente do produto/serviço que ele esteja conectado. Isto é: A marca deve transmitir seu significado independente se está assinando um produto ou sendo "apenas" um avatar na rede social. O papel da marca aqui vai além da identificação, é mostrar como ela faz em vez de o quê ela faz.

Modernidade líquida: marcas consistentes em geração de segundos.

A marca está em diversas plataformas diferentes, mas iguais.

Aqui, temos uma mudança drástica em como se consome informação: Não existe pause, stop ou o "tempo de contemplação". As novas gerações do "multi tela" estão assistindo várias informações ao mesmo tempo em uma diversidade de formatos que torna o controle sobre a gestão da marca cada vez mais complexa e difícil em manter sua padronização, pois em todos os pontos de contato da marca é necessário ser reconhecido/percebido de forma uníssona. Aqui o Design é a chave para o trabalho em equipe, pois o dever do projeto é pensar nesse padrão de comunicação alinhado a estratégia da marca, ao invés de pensar enquanto mero estilo/artifício gráfico. No mundo efêmero do digital, onde a comunicação da marca não é sua papelaria e sim as 5 redes sociais diferentes (no mínimo), o pensamento em que apenas o logotipo tem o dever de identificar e representar algo torna o trabalho ainda mais prazeroso e desafiador. Afinal design de marca é isso, pensar em todos os usos possíveis.

"Content is King" (and always was)

Que os E-Sports atingiram níveis inimagináveis isto é fato, porém o que torna este segmento ainda mais fértil é o crescente público interessado não apenas em jogar, mas assistir as disputas transmitidas ao vivo e torcer pelo times/jogadores favoritos.

Um novo estudo da Newzoo, mostra que o Brasil está em terceiro lugar no ranking mundial neste quesito, onde em 2017 totalizavam 15,4 milhões de viewers, e até o final de 2018 serão 18,3 milhões.

Apesar de falarmos de novos costumes destas novas gerações, o consumo e a conexão deste tipo de tribo ainda é o mesmo de qualquer geração jovem que se identifica na cultura popular: Jogos (esportes), Música e Moda; O que muda aqui é formato e a forma de consumo destes, sendo que a base de envolvimento com uma marca é a mesma desde sempre: A história que ela está contando; Só que a história que ela está contando agora é na 1ª pessoa, o público faz parte, interage em tempo real e quer acompanhar cada segundo.

Nisto, tudo passa a ser conteúdo relevante, pois a audiência espera que as experiências dos jogadores sejam parte de sua vida também. Neste ponto, está o principal acerto onde a equipe da LOUD nos apresentou: Conteúdo todo dia, aproximação entre o time e o seu público a todo momento.

A ideia sensacional da LOUD? Morar todos juntos, vivendo um reality de jogadores mobile! A marca passou a ser vista como uma ponte entre tudo que o público vive: Música, moda, diversão, lazer e o próprio convívio entre eles. A sensação de proximidade existe, e a chance da marca construir outros ativos assinando seu nome ou mesmo se associando a outras marcas também surge.

Milhões de pessoas, diversos perfis e a "hype"

Como pontuamos sobre o exorbitante número da audiência e sua velocidade de consumo, vale mencionar que existem as diferentes subcategorias de perfil dentro do assunto esports. Temos perfis de idade, repertório e diversas outras classificações complexas de serem lidas em um diagnóstico de persona. Mas, o perfil do fã tem um aspecto em comum: Independente se ele joga CounterStrike como um "tradicional" gamer desktop ou se ele joga Brawl Stars no Celular, todos tem uma proximidade com tecnologia e entretenimento popular muito próximos. Todos querem se manter atualizados e ficarem antenados com a informação.

Nesse contexto, surge a "hype": Provocar o exagero no assunto para que chegue ao maior número de pessoas em um pequeno fluxo de tempo.

Hype: estratégia para enfatizar alguma coisa, ideia ou um produto. É um assunto que está dando o que falar, é algo que está na moda e que é comentado por todo mundo.

Além da expressão e a cultura hype da moda, ser comentado por tudo mundo também é uma estratégia principal da cultura gamer; na LOUD consideramos o aspecto "Hype" traçado pela equipe da marca como uma grande tática para se aproximar do consumo de moda (levando a LOUD para a moda hype do streetwear) e se distanciar da cultura "badge" de times.

Finalizando: LOUD e sua originalidade

No desenvolvimento da LOUD, a diferenciação foi nítida na principal plataforma de comunicação da marca (Youtube) frente aos gamers e teams. Com uma natureza menos infantil do que a praticada diversas vezes pelos times do segmento, a LOUD surgiu como uma marca profissional de gamers, atingindo rapidamente uma comunicação efetiva com seu público. Com uma unificação de identidade em seus jogadores, a comunicação praticada pela equipe da LOUD rapidamente os levou a marca de 1 milhão de seguidores em seus primeiros 3 meses.

Perante o conceito de fluxo, dinamismo e principalmente o nome da marca, criamos uma narrativa visual que expresse Loud como uma marca que "faça barulho". Levamos intensidade para todos os elementos da identidade: Escolhemos um tom de verde muito vivo, com forte vibração para as telas; Na seleção da tipografia, usamos a Labil Grotesk por ter em sua fonte variáveis de letras em movimento/deslocamento, sinalizando algumas letras como "itálico" entre as regulares. Considerando a pregnância do nome, desenvolvemos um logotipo que não se misturasse nem se caracterizasse em demasia com o tema, como os demais gamers e times do segmento que ficam excessivamente temáticos ou mesmo decorativos. Deste logotipo, para produzir uma assinatura mais "símbolo" para avatares e práticas de assinatura de pequeno tamanho, extraímos o "D" do logotipo que projetamos para se assimilar com o signo de "Play" e também "seta para frente". Dirigimos essa escolha para o motion, sendo que o "D" traz em movimento o logotipo. A produção de texturas e padrões para a marca seguiram também o conceito de fluxo, agitação e transformação.

Conclusão: A originalidade da marca e sua consistência de conteúdo como ativos principais trouxeram a percepção ideal para seu público e seu segmento, permitindo que a marca leve adiante sua estratégia, expandindo e tornando possível sua atuação em qualquer tipo de ação/desenvolvimento.

Ou seja: – Tenha uma identidade consistente – Torne sua marca uma influenciadora – Trabalhe para ter uma percepção única (no meio do caos)

Case

LOUD

Uma organização de esports que trocou os escudos do esporte tradicional por uma linguagem própria, feita para fazer barulho

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